Panorama do Comércio pós Carnaval.
Os números consolidados de 2025 confirmam o que os indicadores já vinham antecipando ao longo do ano: o comércio brasileiro desacelerou. Dados divulgados pelo IBGE mostram que o varejo ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceu apenas 0,1% no ano passado, depois de avançar 3,7% em 2024. No varejo restrito, o crescimento foi de 1,6%, também abaixo do ritmo observado no ano anterior. O desempenho reflete um ambiente marcado por juros elevados, menor confiança do consumidor e avanço da inadimplência das famílias. Ainda assim, o setor mantém relevância estrutural na economia, tanto em geração de empregos quanto em participação no PIB. A desaceleração não ocorreu de forma abrupta. Ao longo de 2025, os dados mensais já indicavam perda de ritmo, especialmente nas atividades mais dependentes de financiamento. O ciclo de alta da taxa Selic encareceu o crédito e reduziu o ímpeto de consumo de bens de maior valor. Nos últimos dez anos, o comércio enfrentou dois períodos críticos: a recessão de 2015-2016 e a pandemia iniciada em 2020. Em quatro ocasiões houve retração nas vendas do varejo ampliado, sendo 2016 o momento mais desafiador. O saldo das operações de crédito continuou avançando ao longo de 2025. Contudo, o aumento do comprometimento da renda das famílias impõe restrições à expansão desse mercado. O limite não está apenas na oferta, mas principalmente na capacidade de pagamento. A eventual queda dos juros representa um ponto de inflexão importante para o comércio. A redução do custo do crédito tende a estimular financiamentos e aliviar o orçamento das famílias, criando condições para retomada mais consistente do varejo ampliado ao longo de 2026. Mesmo diante das oscilações conjunturais, o setor mostrou capacidade de adaptação. O comércio segue como um dos principais motores de geração de emprego e renda no país, preservando sua importância estratégica na economia brasileira. Fonte: https://site.cndl.org.br