Jovem aprendiz: como a indústria forma o profissional do futuro
Empresas investem em formação técnica e plano de carreira para aumentar efetivação e preparar jovens para o mercado de trabalho. Rodízio entre setores, acompanhamento por mentores, capacitação em inteligência artificial e até aulas de idiomas. Essa é a forma como algumas empresas vêm transformando seus programas de jovem aprendiz para formar os profissionais do futuro. A iniciativa, no entanto, não é uma prática do mercado. Grande parte das empresas vê o programa jovem aprendiz “como cumprimento da cota”. Um estudo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), realizado a pedido do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), aponta que o principal obstáculo para os jovens hoje é construir trajetórias profissionais consistentes, já que muitos programas continuam concentrados em atividades operacionais, com poucas perspectivas de crescimento. O estudo mostra que o Brasil tem 32,9 milhões de jovens entre 14 e 24 anos. Desse total, 13,9 milhões estão ocupados. Entre eles, 84% trabalham em ocupações generalistas e apenas 16% exercem funções técnicas ou de nível superior. O levantamento também aponta que o país conta com cerca de 708 mil jovens aprendizes. Na contramão desse cenário, algumas empresas vêm redesenhando seus programas de aprendizagem para transformar o jovem aprendiz em uma porta de entrada para futuros profissionais da organização. Em vez de apenas cumprir a legislação, elas investem em formação técnica, desenvolvimento comportamental, acompanhamento individual e oportunidades reais de efetivação. A ideia é oferecer ao jovem uma visão clara de desenvolvimento profissional. Além da formação técnica, cada participante é acompanhado por indicadores de desempenho, avaliações periódicas e reuniões entre a empresa e o Senac para monitorar sua evolução. A legislação do Jovem Aprendiz (Lei nº 10.097/2000) estabelece a contratação obrigatória de jovens entre 14 e 24 anos por empresas de médio e grande porte. O contrato especial tem duração máxima de dois anos e garante direitos trabalhistas e previdenciários, conciliando atividades práticas na empresa e teóricas em instituições qualificadas. Ao entrar no programa, o jovem tem o salário mínimo como referência. O valor pode ser superior em situações específicas como convenções, acordos coletivos e casos em que o piso estabelecido segue a lei estadual. Ele também tem direito a vale-transporte, recolhimento de 2% de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e os devidos direitos previdenciários, como contribuição ao INSS e auxílio-doença, além de férias e 13º salário. Fonte: https://dcomercio.com.br