O que o varejo alimentar pode esperar do ano eleitoral
Ano eleitoral no Brasil vai além da disputa política e costuma trazer impactos diretos para a economia e para o consumo. Para o varejo alimentar, tradicionalmente resiliente em volume, o desafio central não está em vender mais, mas em proteger margens, controlar riscos e manter eficiência operacional em um ambiente mais volátil. O problema muda de lugar: sai da venda e vai para margem, custos, promoções e capital de giro. A história recente reforça esse padrão. Em 2018, dados do IBGE apontaram crescimento de 3,8% no setor de supermercados, hipermercados e alimentos, em um segundo semestre marcado por alta do dólar e incertezas eleitorais. Já em 2022, outro ano de eleição, o comércio varejista teve alta mais modesta, de 1,4%, em um contexto de consumo altamente sensível à renda e aos preços. O ambiente eleitoral costuma trazer custos mais voláteis e maior dificuldade de repasse. Fatores como câmbio, combustíveis e frete ganham ruído, enquanto o consumidor se torna ainda mais atento aos preços. O risco é proteger volume destruindo margem. Além disso, medidas fiscais pontuais, como desonerações ou mudanças tributárias temporárias, podem gerar efeitos colaterais relevantes, exigindo maior domínio do impacto por categoria. Outro ponto crítico é o aumento da intensidade promocional. Promoção vira guerra e muita gente vende prejuízo. Promoção boa não é a que vende mais, mas a que vende melhor. Soma-se a isso o movimento de trade-down no carrinho, com maior busca por marcas de entrada, embalagens menores e marcas próprias, além de uma pressão operacional que eleva o risco de perdas. O ano eleitoral separa dois tipos de operação: as que correm atrás de volume para aparecer e as que protegem margem, caixa e execução para continuar existindo. Varejo bom vende, varejo maduro lucra e varejo inteligente enxerga antes, com governança e gestão. Fonte: https://www.supervarejo.com.br