“Só depois das eleições”: Expectativa afeta decisões de empresas
Pesquisa com empresários e executivos mostra adiamento de investimentos, preservação de caixa e menor disposição para contratar diante das incertezas eleitorais, dos juros altos e da reforma tributária. “Vamos esperar a eleição passar.” A frase começa a aparecer com mais frequência nas decisões empresariais — e indica que a disputa de outubro já produz efeitos sobre a economia antes mesmo da abertura das urnas. Pesquisa da Resenha Company mostra que 87,5% dos empresários e executivos consultados já percebem algum impacto das eleições no planejamento de seus negócios. O principal efeito é o adiamento de decisões, tanto pelas próprias companhias quanto por clientes e fornecedores. O levantamento foi realizado entre 10 e 17 de agosto com cem empresários e executivos C-level que integram a comunidade Resenha. Entre os participantes, 39,1% afirmam que clientes ou fornecedores estão postergando decisões por causa do cenário eleitoral. Outros 28,1% dizem que suas próprias empresas aguardam o resultado das urnas antes de definir novos movimentos. Há ainda 20,3% que adotaram a estratégia oposta e decidiram antecipar investimentos ou outras medidas para evitar o período de maior incerteza. Nos dois casos, porém, a eleição passou a determinar o calendário das empresas. Preservação de caixa ganha prioridade. Esse compasso de espera pode afetar a atividade econômica ao reduzir ou adiar investimentos, contratações e encomendas ao longo dos próximos meses. Em vez de buscar uma expansão mais acelerada, parte dos empresários prefere preservar caixa até que haja maior clareza sobre o próximo governo e os rumos da política econômica. Questionados sobre o principal avanço esperado entre setembro e dezembro, 34,4% responderam “nenhum”. Para esse grupo, a prioridade será manter a estabilidade ou administrar uma eventual retração. O crescimento do faturamento foi apontado por 28,1%. Já a expansão do número de funcionários apareceu em último lugar, citada por apenas 3,1% dos entrevistados. O resultado indica baixa disposição para assumir novos custos fixos no curto prazo. Isso não significa que os empresários esperem necessariamente uma deterioração acentuada da economia. Quando perguntados sobre o fechamento do ano, 42,2% se declararam neutros e 37,5% disseram estar otimistas ou muito otimistas. Os pessimistas ou muito pessimistas somaram 20,3%. O retrato, portanto, é menos de paralisia e mais de “cautela tática”: as empresas continuam operando, mas evitam decisões de longo prazo enquanto aguardam uma definição do cenário político e econômico. Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br