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O preço da precipitação para o varejo

O calor eleitoral tem como uma de suas características conhecidas a concentração de atenção no que rende votos e deixa em segundo plano o que pode comprometer o futuro. A sequência de benesses sendo concedidas no calor da eleição vai gerar consequências complexas para a Nação. Muitas levantadas e avaliadas e outras tantas apenas supostas. Algumas decisões podem até produzir dividendos políticos imediatos, enquanto seus custos econômicos e sociais se manifestam ao longo do tempo, envolvendo menor desenvolvimento econômico, aumento de custos e inflação, perda de competitividade, fechamento de empresas e crescimento da informalidade. O açodamento na decisão da mudança da escala de trabalho, sem ampla e profunda discussão de seus impactos diretos nos diferentes segmentos econômicos, regiões, portes de empresa, canais e modelos de negócio, é um exemplo marcante que ficará para a história. É legítima e necessária a busca por mais qualidade de vida para os trabalhadores, mas a questão é ignorar consequências sobre custos, produtividade, contratação, preços e competitividade. Boa intenção não pode ser confundida com alienação. No varejo, nos serviços, no agro e na indústria de bens de consumo, o desafio é particularmente complexo. O custo adicional da mão de obra não se limita à eventual contratação de mais pessoas para manter o funcionamento das operações, pois envolve escalas, horas trabalhadas, cobertura de horários, treinamento, gestão e produtividade, num cenário em que cresce a competição com os canais digitais. Para setores com atividades intensivas em pessoas, como o varejo e os serviços, com funcionamento prolongado e margens pressionadas, a conta será especialmente pesada. O primeiro e mais básico efeito será o aumento da pressão sobre a rentabilidade e a revisão dos modelos operacionais. O segundo, a aceleração da automação potencializada pela IA e a redução de postos de trabalho em determinadas atividades. O terceiro envolve a realística perspectiva de aumento da informalidade em negócios que já operam no limite de sua capacidade econômica. Como resultado, a perspectiva é de que os custos aumentem e os preços, não podendo acompanhar essa elevação, pressionem ainda mais a margem, tornando muitos pequenos negócios inviáveis. E isso também levará ao aumento da informalidade econômica. E esse movimento poderá ocorrer simultaneamente à implantação da reforma tributária, com todas as suas dúvidas e implicações. O Brasil precisa superar a lógica de decisões orientadas pelo calendário eleitoral e construir uma visão integrada de desenvolvimento. Governo, Congresso, setor privado e trabalhadores têm responsabilidades distintas, mas compartilham o interesse na expansão do emprego formal, no aumento da renda e da produtividade e na sustentabilidade dos negócios. O que não está sendo discutido agora pelo afogadilho das decisões às vésperas das eleições cobrará seu preço de toda a sociedade, dadas as consequências que irá produzir em sua implantação. E, mais uma vez, passaremos um bom período futuro tentando remendar o que foi mal planejado, feito de forma intempestiva e quase inconsequente, com danos ainda maiores para os setores e segmentos mais vulneráveis, em especial os trabalhadores, que serão ainda mais pressionados pelo inevitável aumento da inflação, com reflexos na impossibilidade de redução das taxas de juros. O dano está configurado e agora a questão é buscar caminhos e alternativas para absorver seu impacto e, nas discussões da forma de implantação, tentar minorar os danos da inconsequência perpetrada. Ao invés de construir o futuro, ficaremos mais um tempo corrigindo os desatinos do passado. Fonte: https://mercadoeconsumo.com.br

 acecam.acecam@gmail.com

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  Whatsapp: (21)97229-2877

  Cachoeiras de Macacu-RJ CEP: 28680000

Desenvolvido por Marlon Alves

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O preço da precipitação para o varejo

O calor eleitoral tem como uma de suas características conhecidas a concentração de atenção no que rende votos e deixa em segundo plano o que pode comprometer o futuro. A sequência de benesses sendo concedidas no calor da eleição vai gerar consequências complexas para a Nação. Muitas levantadas e avaliadas e outras tantas apenas supostas. Algumas decisões podem até produzir dividendos políticos imediatos, enquanto seus custos econômicos e sociais se manifestam ao longo do tempo, envolvendo menor desenvolvimento econômico, aumento de custos e inflação, perda de competitividade, fechamento de empresas e crescimento da informalidade. O açodamento na decisão da mudança da escala de trabalho, sem ampla e profunda discussão de seus impactos diretos nos diferentes segmentos econômicos, regiões, portes de empresa, canais e modelos de negócio, é um exemplo marcante que ficará para a história. É legítima e necessária a busca por mais qualidade de vida para os trabalhadores, mas a questão é ignorar consequências sobre custos, produtividade, contratação, preços e competitividade. Boa intenção não pode ser confundida com alienação. No varejo, nos serviços, no agro e na indústria de bens de consumo, o desafio é particularmente complexo. O custo adicional da mão de obra não se limita à eventual contratação de mais pessoas para manter o funcionamento das operações, pois envolve escalas, horas trabalhadas, cobertura de horários, treinamento, gestão e produtividade, num cenário em que cresce a competição com os canais digitais. Para setores com atividades intensivas em pessoas, como o varejo e os serviços, com funcionamento prolongado e margens pressionadas, a conta será especialmente pesada. O primeiro e mais básico efeito será o aumento da pressão sobre a rentabilidade e a revisão dos modelos operacionais. O segundo, a aceleração da automação potencializada pela IA e a redução de postos de trabalho em determinadas atividades. O terceiro envolve a realística perspectiva de aumento da informalidade em negócios que já operam no limite de sua capacidade econômica. Como resultado, a perspectiva é de que os custos aumentem e os preços, não podendo acompanhar essa elevação, pressionem ainda mais a margem, tornando muitos pequenos negócios inviáveis. E isso também levará ao aumento da informalidade econômica. E esse movimento poderá ocorrer simultaneamente à implantação da reforma tributária, com todas as suas dúvidas e implicações. O Brasil precisa superar a lógica de decisões orientadas pelo calendário eleitoral e construir uma visão integrada de desenvolvimento. Governo, Congresso, setor privado e trabalhadores têm responsabilidades distintas, mas compartilham o interesse na expansão do emprego formal, no aumento da renda e da produtividade e na sustentabilidade dos negócios. O que não está sendo discutido agora pelo afogadilho das decisões às vésperas das eleições cobrará seu preço de toda a sociedade, dadas as consequências que irá produzir em sua implantação. E, mais uma vez, passaremos um bom período futuro tentando remendar o que foi mal planejado, feito de forma intempestiva e quase inconsequente, com danos ainda maiores para os setores e segmentos mais vulneráveis, em especial os trabalhadores, que serão ainda mais pressionados pelo inevitável aumento da inflação, com reflexos na impossibilidade de redução das taxas de juros. O dano está configurado e agora a questão é buscar caminhos e alternativas para absorver seu impacto e, nas discussões da forma de implantação, tentar minorar os danos da inconsequência perpetrada. Ao invés de construir o futuro, ficaremos mais um tempo corrigindo os desatinos do passado. Fonte: https://mercadoeconsumo.com.br

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